domingo, 19 de maio de 2013

ajulgando




Lá no quarto dos fundos a vovó da fulana fuma escondido
Em algum lugar aquela mulher trai o marido
Já fazia Maria Antonieta de penteados sua distração
E o médico surpreendente preenchia de vicodin a circulação

(Vovó mentirosa)
(Mulher promíscua)
(Rainha perdulária)
(Homem incoerente)

A vida é um eterno julgamento
Mas ninguém se preocupa com o silêncio interno alheio,
[afogado pelas coisas que são rapidamente julgadas desnecessárias, irracionais

Pois que se o silencio grita
A dor é maior
O julgamento é pior

E sejamos juízes sinceros:
Cada um foge do seu jeito
Por falta de ajuda melhor.





sexta-feira, 17 de maio de 2013

Histórias de amor duram uma página


 "A gente aceita o amor que acha que merece"
(As Vantagens de Ser Invisível)



Toda história de amor, leva uma página.
Por isso, não derrubais sequer demente lágrima,
Não maculeis! nem olvideis meus escritos;
Não esqueçais dos meus sonetos, o mais querido.

Não me tomais por fútil.
Sou apenas um bobo, brincando de ser equilibrista.
Dançando, na corda bamba
(sou apenas um inútil)
A brincar nas veias rotas de um coração (cansado de ser) artista.

Não fazeis julgamento de mim.
Se me tornei o que sou por fim,
Credes, as culpas todas desse torpor
(De fugir da corrida tão predatória)
Se sob o céu anil há de ter explicação,
(não tenho escapatória!)
– alcunho-lhe, amor!

Mas se histórias de romances
Duram menos de uma lauda
Findada, essa estória, não me aplauda!
Deixai dissipar o eco, fugir de vosso alcance...

Pois meu amor não se mede em palavras,
É pureza infindável!
Meu amor não se mede em métricas,
Compassos ou poesia ritmada.
Meu amor é pedra bruta, é rocha não lapidável.

Esqueçais tudo que leste até aqui.
Não quero falar de amores que não vivi.
Soltai minha mão, voai para o além.
Deixai-me só, feliz, sendo eu, ninguém.

E se todo romance dura uma página (ainda que alvissareiro),
Olhai o nosso... O nosso amor dura um livro inteiro.
Tem apêndices e índices pra me folhear do A ao Z
Tem todo um amor, que não cabe no ABC.

terça-feira, 14 de maio de 2013

entre lágrimas e lágrimas














Você já parou pra pensar que a beleza das lágrimas é subestimada? Sim, é. O bom e velho –  e aconselhado - sorriso pode ser incrível e pode marcar seu dia, mas lágrimas sinceras marcam meses, anos, vidas. Se os olhos são as janelas da alma, as lágrimas devem ser o transbordamento da mesma.

  O que incomoda sobre as lágrimas é a versatilidade.
Quem dera toda lágrima fosse de alegria. E cada gota teria a mesma beleza que as dos olhos de um noivo, e as do olhar de um reencontro, e também as que vem com um abraço apertado... E por que não a beleza das lágrimas da dor? Mas só daquela, que vem e cessa, após longos nove meses de espera.

Cambaleando na incerteza de aconselhar lágrimas a alguém, lhe peço que chore.
Nem que seja uma única lágrima que lhe escapa pelo canto dos olhos.
E se for para dar conselhos, que estes sejam os mais incomuns.
Chore.